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É impressionante o número de cães atingidos por esse parasita,
aparentemente indestrutível, graças ao seu impressionante poder de
resistência aos tratamentos comuns. De fato, uma população de
carrapatos, ao se instalar em determinado ambiente torna-se
difícil de controlar, devido a algumas particularidades dos
hábitos desse pequeno ácaro. O controle, então, deve levar em
conta o ciclo biológico desse parasita, para maior eficácia. É
bom lembrar que individualmente, o carrapato é frágil e não
necessita de drogas muito fortes, que acabam por intoxicar o
cachorro. Então, visando conhecer melhor o nosso inimigo para
combatê-lo com mais eficiência, eis aí alguns dados desse
parasita:
O
carrapato é um ácaro, chamado de ectoparasita, pois sobrevive
alimentando-se do sangue de seu hospedeiro e, segundo sua espécie,
tem ou não preferência por hospedeiros específicos. O carrapato do
cão é específico dele e só vai ao homem na impossibilidade de
chegar ao seu hospedeiro predileto.
Seu nome é Riphicefalus caninum , também conhecido como carrapato
vermelho do cão.
Muitas pessoas fazem distinção entre a fase larvar (bem minúsculos
e vermelhos), a que chamam “micuim” e a fase adulta (ácaros
maiores, acinzentados e semelhantes a um grão de feijão), como se
fossem dois parasitas diferentes. No entanto, trata-se da mesma
espécie, apenas em fase distinta da vida.
Quando se encontra um exemplar acinzentado, bem redondo como um
grão de feijão, sabe-se que se trata de uma fêmea engurgitada, ou
seja, cheia de ovos maduros. Uma só fêmea é capaz de colocar
milhares de ovos, que irão eclodir em poucas semanas, se o
ambiente for propício.
Esse parasita , apesar de passar grande parte de seu tempo de vida
no animal, sai dele para fazer as mudas (ecdises) - passar de um
estágio para outro: vão da fase larvar até a idade adulta, em que
podem reproduzir. A fêmea engurgitada também deixa o animal
(hospedeiro) para por os ovos.
Por ocasião das mudas e da reprodução, sobem aos lugares altos
(têm geo-tropismo negativo), escalando paredes, muros, árvores,
telhados etc. e se esondem em frestas para, depois, retornar ao
animal.
Isso quer dizer que grande parte dos carrapatos estão no ambiente
e um tratamento comum, somente no animal, não funciona muito bem.
Em infestações mais antigas, é preciso pulverizar o ambiente
(principalmente os lugares altos), periodicamete.
Caso seja uma época de frio intenso, os carrapatos podem entrar em
hipobiose (uma espécie de hibernação, onde não precisam se
alimentar e não se movem), esperando por ocasião melhor - gostam
de umidade e de calor, por isso são mais freqüentes no verão - a
melhor época para a prevenção da infestação é o final da primavera
(outrubro/novembro) e, no máximo, a entrada do verão em dezembro.
Para auxiliar no tratamento, há alguns anos, foram lançados no
mercado produtos de longa ação (alto poder residual), de até 60
dias de atuação e extremamente seguros, pois foram desenvolvidos
especialmente para os cães e gatos. São sprays ou vêm em veículo
oleoso em ampolas, que aplicados sobre a pele e o pelo seco do
animal, formam um filme protetor contra o ataque de pulgas e
carrapatos, impedindo que estes se alimentem. É possível que se
acabe com uma infestação moderada do ambiente apenas tratando o
animal dessa maneira: os parasitas acabam por morrer sem poder se
alimentar.
Agora, conhecendo bem esse arqui-inimigo dos nossos animais,
podemos atacá-los com mais eficácia e segurança, tendo em mente
que não apenas o carrapato em si, mas também sérias doenças que
ele transmite, devem ser erradicados do convívio de nossos cães.
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